Por Sandra Maura, CEO da TOPMIND

Participar de grupos com pessoas de diferentes partes do planeta, contar com apoio de assistentes virtuais que conhecem toda nossa agenda e guardar as memórias de uma vida inteira na Nuvem. Esses são três exemplos de como estamos mergulhando profundamente na transformação digital de nossas rotinas. Mas e no caso das empresas? Como é possível criar uma cultura digital dentro de ambientes complexos, com processos consolidados ao longo do tempo?
Um bom começo para isso é, sem dúvida, permitir o avanço da inovação como um caminho de evolução dos negócios. Em um mundo em constante mudança, o ponto de partida para a construção de um plano de transformação digital, em síntese, é estar aberto às novas ideias, tecnologias e competências, buscando o aprimoramento contínuo dos processos que podem e precisam ser otimizados no dia a dia das operações.
Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos destaca que as companhias que focaram seus processos de transformação digital em ações direcionadas à cultura de inovação tiveram até cinco vezes mais retorno do que aquelas que, simplesmente, investiram em tecnologia. Ou seja: a tecnologia é essencial para a evolução, mas é preciso que a inovação faça sentido e esteja alinhada às demandas e características do negócio.
Afinal, você já imaginou por que usamos as soluções digitais em nossas vidas? Basicamente, para tornar nossa rotina mais simples, divertida e prática. É esse o valor que a implementação de novas tecnologias deve gerar às organizações. A transformação digital não é apenas ampliar o número de ferramentas de TI ou capacitar os colaboradores para executar as tarefas em novas interfaces. Mais do que isso, a digitalização deve perseguir formas e soluções que melhorem o desempenho das pessoas e processos.
Ao invés de mensurar as mudanças apenas por meio dos índices de digitalização dos processos, o desenvolvimento de uma cultura digital perene exige a definição de uma meta que avalie continuamente como as inovações estão, de fato, ajudando a melhorar a performance, a eficiência e o crescimento das organizações dentro de suas reais ambições para o futuro. A tecnologia é o facilitador das ações, em suma.
Não por acaso, um estudo feito na Europa e Estados Unidos indicou que o alinhamento cultural e a ética são, hoje, os parâmetros mais importantes para a contratação de um fornecedor de tecnologia voltado à transformação digital. A pesquisa afirma que quase 60% dos principais líderes executivos avaliam que essas são as duas características essenciais para a execução de um projeto bem-sucedido, após o conhecimento técnico relacionado às aplicações.
Em outras palavras, esses executivos estão buscando empresas que entendam seus princípios operacionais e que construam soluções adequadas à realidade de seus negócios. Nada mais justo e coerente, uma vez que cada operação é única, com pessoas e pensamentos completamente singulares. Não há receita de bolo para a transformação digital e o resultado depende de um amplo conjunto cultural.
Neste caso, precisamos pensar com muito cuidado em quais soluções de TI farão sentido para a expansão dos resultados, e, também, em como incentivar uma cultura plenamente orientada à inovação, em uma troca ininterrupta de experiências, conhecimentos e ideias.
Isso pode ser feito a partir de três ações. A primeira seria um estímulo à participação das pessoas, propondo o desenvolvimento dos talentos e a formação de um ambiente que valorize a criatividade. A segunda ação amplia a tolerância aos riscos, entendendo que erros e falhas fazem parte, também, do processo de evolução e melhoria contínua das operações. A terceira ação possibilita, por meio do trabalho contínuo e com alianças, a identificação e a construção de soluções verdadeiramente adequadas à empresa.
É preciso ainda ter confiança e respeito pelas pessoas e oferecer soluções de tecnologia que as ajudem a entregar resultados melhores. Somente com essa combinação é que as organizações poderão construir um plano eficaz para a obtenção de insights de negócios práticos e para o desenvolvimento das equipes.
A transformação digital não é uma ação com começo, meio e fim. Os melhores resultados só surgirão nas operações que reconhecerem isso e estimularem a criação de uma cultura digital, com a participação de equipes e parceiros que entendam o valor e o impacto das inovações, entregando soluções com real aderência às necessidades do negócio. Investir em tecnologia e cultura é um binômio indispensável e urgente. O importante é começar essa jornada.