Daniel Medeiros*

Aristóteles afirmava que cada coisa tinha uma finalidade no mundo. O fim era a realização plena da natureza de cada coisa. O nosso fim, como animais que pensam, era alcançar a excelência da razão, por meio de uma vida voltada para esse fim. E para chegarmos lá, precisávamos praticar, desenvolver o hábito, condicionar nossas atividades para que elas não se perdessem em outras atividades que não eram propriamente ruins, como as paixões, mas que estavam longe de ser tudo o que poderíamos alcançar e que Aristóteles chamou de “estado de graça” (eudaimonia).

No entanto, esse estado de graça que uma vida voltada para o desenvolvimento do espírito poderia atingir não era uma tarefa que se realizaria solitariamente. Somos seres sociais e a polis é a nossa natureza a priori, isto é, anterior à nossa percepção de que somos indivíduos. Assim, o bem comum, a felicidade geral, eram o verdadeiro fim da jornada humana. Alcançar esse estágio era a realização. Depois disso, bastava contemplar essa beleza toda. Nada mais seria tão perfeito.

Aristóteles disse tudo isso ao seu filho, Nicômaco, em um esforço de pai que busca orientar, orientar, indicar o caminho para uma vida plena. O preço dessa era ou o filtro chamado "virtude", que consiste em manter o equilíbrio de atitudes, evitar o excesso de falsas, e também, como já está aqui, ou há, uma prática ou exercício anterior dessa circunstância, que não é flexível , nem único. Cada um sabe os limites e a capacidade que tem, por isso, ou excesso e a falta dependendo desses parâmetros. O conceito virtuoso de coragem, por exemplo, era um, traduzido por um meio termo entre não fazer o que um cidadão poderia ter feito e fazer algo que não estava ao seu alcance.A régua de coragem ia, assim, variando de acordo com o amadurecimento de cada um, até atingir aquele momento que, com o nosso esforço diário, podemos chamar de sabedoria.

Tudo isso foi pensado e aqui há mais de dois mil anos. Hoje, diante do processo de descalcificação das caixas que avança por todos os lados, sem janela, martelando nossos ouvidos com palavrões e ameaças, gritos e gestos com fúria, sentimos falta de escolas que não foram usadas, para jovens, uma leitura, uma reflexão e a prática desses conselhos de Aristóteles ao seu filho e aos jovens de sua época. Afinal, como ele asseverou, lembrando que fazer uma coisa é muito mais simples e fácil e, principalmente, ainda é possível: “Os homens são bons apenas um modo, mas são maus de muitos modos”.

* Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso Positivo.