Por Roberto Carvalho, Vice-Presidente da Dynatrace para a América do Sul

Não há como negar: este é um momento de definição para o setor de serviços financeiros e suas aspirações digitais. Isso porque, apesar de muitas organizações terem começado projetos de transformação ambiciosos antes de 2020, a maior parte desses esforços de digitalização acabaram sendo muitas vezes inconsistentes. A pandemia apresentou uma necessidade nova e mais urgente de maior investimento em inovação digital.

Em uma recente pesquisa realizada por nossa companhia, descobrimos que 91% dos CIOS do segmento de serviços financeiros afirmam que a transformação digital tem sido diretamente acelerada durante a pandemia - e 57% desses líderes preveem que esse movimento continuará a acelerar.

No entanto, à medida que os bancos continuam a busca pela inovação - para responder as mudanças nas expectativas dos clientes, novas regulamentações e o aumento da concorrência, seus desafios também aumentam. Por exemplo, a existência de informações em silos existentes e as formas legadas de operar e gerenciar a TI cada vez mais representam grandes obstáculos para que as equipes consigam, de fato, melhorar a colaboração e permitir a entrega de melhores resultados de negócios.

Para enfrentar esses desafios, as equipes de TI e de desenvolvimento precisam buscar caminhos para gerenciar, monitorar e compreender de maneira unificada como todos os seus ativos digitais funcionam juntos.

Essa importância de ter sempre a mão informações verdadeiras em uma fonte centralizada e confiável por meio de uma estratégia de “observabilidade” inteligente ficou ainda mais latente com a evolução da crise aberta pela Covid-19. Surgiu quase da noite para o dia uma necessidade de apoiar o trabalho remoto em massa - e a mudança dos clientes para os canais digitais também exigiu grandes reformulações no modo como as empresas oferecem, entregam e administram suas cadeias de valor.

Outro estudo revelou que no Reino Unido, uma das regiões mais ativas digitalmente do mundo hoje, 73% dos consumidores já interagem com seus bancos on-line pelo menos uma vez por semana, um pouco acima da média global de 70%. Entretanto, a maior dependência desses canais para os negócios - apoiando o crescimento da receita, o engajamento dos funcionários e jornada digital dos consumidores - as equipes de TI estão sob pressão crescente para atender às demandas de negócios por melhor performance e escala.

Descobrimos que metade dos CIOs em organizações de serviços financeiros acredita que suas equipes de TI estão cada vez mais sobrecarregadas. Seus esforços para fornecer experiências digitais aprimoradas estão, entre outras coisas, sendo desafiados por picos repentinos na demanda por serviços em nuvem, necessidades de negócios em rápida mudança e o grande número de usuários remotos que agora esperam experiências. A realidade é que a performance de TI é um problema perene. E a presença de várias ferramentas distintas de monitoramento e gerenciamento aumenta o desafio, criando confusão e ineficiência onde deveria haver clareza e controle.

Esses vários conjuntos de ferramentas servem apenas para compor silos em toda a organização, deixando grandes lacunas de visibilidade onde os problemas de performance proliferam. Quase metade dos CIOs que ouvimos (44%) indicou que suas equipes de TI e de negócios que trabalham em silos são uma das principais barreiras para maximizar o valor de TI para os negócios.

A observabilidade é crucial, mas está se tornando mais difícil de ser alcançada, graças à proliferação de microsserviços, contêineres e arquiteturas serverless na infraestrutura digital moderna. É um cenário complexo e dinâmico caracterizado por milhares de serviços digitais, em que bilhões de dependências são capazes de mudar em milissegundos. As várias equipes de TI e de negócios encarregadas de projetar, construir e implantar sistemas críticos precisam desesperadamente de contexto de uma única fonte de verdade para monitorar e gerenciar a experiência do usuário e os resultados de negócios.

Sem isso, elas não conseguem identificar a gravidade dos problemas e agir imediatamente. Também acabam tendo problemas para compreender exatamente o que a empresa e seus clientes precisam, o que torna difícil maximizar o valor da TI. Calculamos que as empresas de serviços financeiros podem perder até US$ 1,7 milhão, em média, em produtividade desperdiçada, simplesmente porque as equipes de TI e de negócios precisam se reunir para identificar as causas e as soluções dos problemas.

As organizações de serviços financeiros entendem que as coisas não podem continuar assim. Quase todos (95%) os CIOs que entrevistamos dizem que as decisões de investimento em TI devem ser mais baseadas em dados no futuro. Dois terços afirmam estar fartos da necessidade de reunir informações de várias ferramentas para entender o impacto desses investimentos nos negócios. Muitos estão adotando abordagens como NoOps, operações de nuvens autônomas e BizDevSecOps para aliviar a carga sobre a TI e ajudar a quebrar os silos.

Essas iniciativas são um ótimo começo. Mas, para obter os resultados necessários, eles devem estar centrados em uma única plataforma, oferecendo uma única fonte de verdade para colaboração entre equipes e visibilidade em tempo real. A inovação mais rápida e o valor de negócio virão apenas de uma visão em tempo real e orientada por dados sobre as aplicações e serviços dos quais os negócios digitais dependem. Para empresas de serviços financeiros que buscam sair da pandemia na primeira posição do mercado e aproveitar as oportunidades se abrindo com o Open Banking, vemos uma janela enorme para a diferenciação e crescimento à frente – mas, somente se a estratégia de observabilidade da TI e do Negócio puder acompanhar a velocidade de mudança.